segunda-feira, 5 de outubro de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
5º Concurso Literário Sophia de Mello Breyner
Este concurso é uma iniciativa das Câmaras Municipais de Lagos e de Loulé, através das suas Bibliotecas Municipais, que tem como principal objectivo incentivar a leitura das obras da poetisa.
O concurso contemplava dois grupos distintos: 3º ciclo e Ensino Secundário, podendo os alunos produzir textos narrativos, poéticos e ensaísticos, bem como ilustrações, desde que inspirados na obra de Sophia de Mello Breyner.
O júri distinguiu quatro alunos da nossa Escola nas categorias de texto e ilustração.
O 1º prémio foi atribuído à aluna Sofia Galego Silva, da turma 11º G, com o conto Uma História para William II.
Uma História para William II
Era uma vez um reino distante. Ficava para lá do oceano mais profundo e extenso, por detrás da mais alta cadeia de montanhas… Todos aqueles que lá tinham chegado ficaram demasiado cansados para voltar atrás, e por isso ainda ninguém ouvira falar dele. Nesse reino havia um rei, e esse rei era sábio e benevolente. Tinha tornado o reino próspero e rico, e o seu povo era muito feliz – mas o rei era já velho, e estava a treinar o seu único filho para que, após a sua partida, ele pudesse ser o melhor líder que o seu povo jamais tivera.
Esse filho chamava-se Padraic. Apesar de ser inteligente e forte, e de ter todas as capacidades do seu pai, faltava-lhe a motivação necessária para atingir o sucesso. Ele contemplava placidamente todas as tarefas que deveria completar no dia seguinte todas as noites, antes de ir dormir – e depois, acordava bem cedo para as não fazer. Simplesmente caminhava pelos jardins do palácio ou sentava-se em frente à sua janela e esperava que o sol cruzasse a abóbada dos céus, dum extremo ao outro, até que mergulhasse na explosão de cor e luz do ocaso. E mais um dia passara. Padraic via as consequências dos seus actos e reconhecia as suas causas – mas saber o que é correcto e o que não o é nunca torna as boas escolhas mais fáceis de fazer.
Excerto do conto de Sofia Galego Silva.
O 3º prémio foi atribuído à aluna Diana Cadete, da turma 10ºH na categoria de poesia.
Foi atribuído uma Menção Honrosa à aluna Denise Grelha, da turma 11º B com o conto Matilde e Michel.
A Matilde era a mais bela de todas as gatas da rua das Tulipas, que fica na cidade de Cristina. Na casa onde vivia, viviam também os seus donos, o senhor da casa, a esposa e a filha Clara. Esta última, quando apanhava a Matilde, agarrava-a e puxava o seu pêlo com tanta força, talvez por ser demasiado pequenina e não ter a noção do que fazia. Eram essas as únicas alturas em que Matilde se enervava e tinha de fugir. Matilde já a tentava evitar a todo o custo, mas viviam na mesma casa, e ela era sua dona, era inevitável encontrarem-se muitas vezes por dia.
O 1º prémio, na categoria de Ilustração, foi atribuído ao aluno Pedro Vale.
domingo, 26 de abril de 2009
Dia da Mulher
A Mulher e a literatura
Como em muitas outras manifestações artísticas, a mulher teve sempre um papel importante na literatura, enquanto personagem mas também como autora.
Atentemos nesta minha última assumpção: ao longo dos séculos, autoras femininas houve que se destacaram sobremaneira, na prosa e na poesia, no ensaio, no teatro, etc., tanto em Portugal como no resto do mundo.
Porém, nem sempre foi fácil para a mulher aceder a um mister considerado impróprio para o seu sexo. Houve casos, até, em que as mulheres tiveram de adoptar um nome masculino a fim de verem as suas obras publicadas, como aconteceu no século XIX com George Sand (1804-1876), de seu verdadeiro nome Aurore Lucie Dupin, e cuja relação amorosa com Chopin chocou uma sociedade puritana daquela época. Por cá, também a poetisa Florbela Espanca, (1894-1930) escandalizava os portugueses com a sua poesia de uma sensibilidade pagã, exaltação do amor e do sentimento, mas igualmente de uma lucidez de finitude do mesmo amor e sentimento “E desse que era meu já me não lembro…”. Florbela Espanca foi cursar direito em Lisboa em 1917, mas, a exemplo de outros países ditos democráticos, não lhe era reconhecido o direito a votar.
Esta luta pelo direito das mulheres ao voto reflecte-se na obra da escritora Maria Lamas, que viveu sob o regime de Salazar, apesar de este direito já haver sido conquistado no resto da Europa nas décadas vinte e trinta do século XX. Pese embora à custa de muito “sangue, suor e lágrimas” por parte de muitas mulheres.
Mais recentemente a mulher, livre de anteriores tabus e limitações resultantes da condição feminina, tem-se destacado na literatura e muitas são as autoras portuguesas cujo nome valeria a pena referir. Por via de falta de espaço, uma vez que a lista seria longa, e por ter frequentado este estabelecimento de ensino há não muito tempo, referirei apenas o nome de uma grande escritora: Lídia Jorge. Se me é permitido sugerir o nome dum livro de sua autoria, e não de muitos mais, igualmente por falta de espaço, sugiro “Combateremos a Sombra”.
Este livro versa um tema muito actual.
Qual? Descobri-lo-ão quando, e se, o lerem.
Gabriela Correia
Faro, 08 de Março de 2009
domingo, 29 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
PAI...
RETORNO
Subo um passeio branco alastrado de sombra,

luz e folhas caídas.
Pela mão vai minha filha,
juntos subimos rente ao fim
da tarde.
Apertando-me os dedos, olhos nos olhos,
minha filha faz-me as perguntas de todas
as crianças.
Seus olhos espelham os meus
e na boquita fresca vagueia o sorriso
que outrora perdi.
Absorto, caminho rumo ao fim do tempo,
ela, rumo ao princípio.
O meu poente roxo é a sua alvorada
estridente.
Termino um pouco onde ela começa,
mas minhas mãos continuam nas suas.
Penso agora na morte sem angústia
e na vida com outro empenho.
Minha filha vai comigo, seus olhos,
Seus gestos, seu sorriso,
Lembrança de mim.
Vou partindo. Ela apenas chega.
A tarde cai e não é triste morrendo.
Rui Knopfli (in Biblioteca de autores Portugueses, pag 45)
terça-feira, 10 de março de 2009
Concurso de Prosa e Poesia - Resultados

Assim:
ESCALÃO A (Alunos)
Prosa - Xavier Inácio Patrício Rosado, nº 28 - 12º C
Prosa - Mª Gabriela Rodrigues Correia, professora
Poesia - Mª Gabriela Rodrigues Correia, professora
Para além dos parabéns aos vencedores é justo realçar a qualidade dos trabalhos apresentados, os quais mereceram os elogios do júri (constituido por ex-professores da nossa Escola). Na cerimónia de entrega dos prémios ficou a promessa de editar, em livro, os trabalhos que concorreram.
Para começar damos a conhecer os trabalhos vencedores na categoria de poesia:
"Amor iludido”
Sei que és um sonho,
Mas meus olhos estão-te a esperar
Sei que és um forte desejo,
Mas não paro de pensar.
Imagino os teus olhos,
O teu rosto junto ao meu.
Eu faria tudo
Só para ter um beijo teu.
Tento esquecer aquela loucura,
Tento fugir daquela doce ilusão,
Mas a minha alma está presa
Naquela forte imaginação.
Fico perdida nos pensamentos
E não consigo mais suportar.
Peço a Deus com forte desejo,
Para um dia te abraçar.
Passa um dia e mais uma noite,
Passou um ano e já fiz os dezoito.
De tudo aquilo que eu tanto esperava,
De amor e carinho, que necessitava,
Eu percebia com toda clareza,
Que me tornei uma dramática princesa.
Enfim, apaguei-te da minha memória,
Fechei as portas da iludida vitória.
Escalão B
"Paisagem Com Corpo Ao Fundo"
Trazias as manhãs nos teus cabelos,
O riso nos teus olhos,
Em novelo,
A meiguice dos teus dedos
Sabia a sol de tarde
No inverno.
As palavras suspensas dos teus lábios
Eram brincos rubros de cereja
Com que nos enfeitávamos,
Na infância.
Trazias no teu corpo labaredas,
Propostas de outros mundos,
Não sonhados:
E era a alegria,
A comunhão,
O caminho à nossa frente,
Resplendente,
Da vitória!
Sírius subia no horizonte, luminosa.
A Aurora chegava, caprichosa.
E saíamos, contrafeitos, para a rua,
Em busca de alimento para o corpo,
Recebendo, agradecidos,
A luz quente do Mundo
Em nosso rosto.
quarta-feira, 4 de março de 2009
SUGESTÃO DE LEITURA





