segunda-feira, 11 de maio de 2009

5º Concurso Literário Sophia de Mello Breyner

A cerimónia de entrega de prémios do 5º Concurso Literário "Sophia de Mello Breyner" realizou-se no dia 19 de Abril de 2009, pelas 15h:30m, na Biblioteca Municipal Dr. Júlio Dantas em Lagos.
Este concurso é uma iniciativa das Câmaras Municipais de Lagos e de Loulé, através das suas Bibliotecas Municipais, que tem como principal objectivo incentivar a leitura das obras da poetisa.
O concurso contemplava dois grupos distintos: 3º ciclo e Ensino Secundário, podendo os alunos produzir textos narrativos, poéticos e ensaísticos, bem como ilustrações, desde que inspirados na obra de Sophia de Mello Breyner.
O júri distinguiu quatro alunos da nossa Escola nas categorias de texto e ilustração.

O 1º prémio foi atribuído à aluna Sofia Galego Silva, da turma 11º G, com o conto Uma História para William II.

Uma História para William II
Era uma vez um reino distante. Ficava para lá do oceano mais profundo e extenso, por detrás da mais alta cadeia de montanhas… Todos aqueles que lá tinham chegado ficaram demasiado cansados para voltar atrás, e por isso ainda ninguém ouvira falar dele. Nesse reino havia um rei, e esse rei era sábio e benevolente. Tinha tornado o reino próspero e rico, e o seu povo era muito feliz – mas o rei era já velho, e estava a treinar o seu único filho para que, após a sua partida, ele pudesse ser o melhor líder que o seu povo jamais tivera.
Esse filho chamava-se Padraic. Apesar de ser inteligente e forte, e de ter todas as capacidades do seu pai, faltava-lhe a motivação necessária para atingir o sucesso. Ele contemplava placidamente todas as tarefas que deveria completar no dia seguinte todas as noites, antes de ir dormir – e depois, acordava bem cedo para as não fazer. Simplesmente caminhava pelos jardins do palácio ou sentava-se em frente à sua janela e esperava que o sol cruzasse a abóbada dos céus, dum extremo ao outro, até que mergulhasse na explosão de cor e luz do ocaso. E mais um dia passara. Padraic via as consequências dos seus actos e reconhecia as suas causas – mas saber o que é correcto e o que não o é nunca torna as boas escolhas mais fáceis de fazer.
Excerto do conto de Sofia Galego Silva.

O 3º prémio foi atribuído à aluna Diana Cadete, da turma 10ºH na categoria de poesia.

Foi atribuído uma Menção Honrosa à aluna Denise Grelha, da turma 11º B com o conto Matilde e Michel.
Matilde e Michel
A Matilde era a mais bela de todas as gatas da rua das Tulipas, que fica na cidade de Cristina. Na casa onde vivia, viviam também os seus donos, o senhor da casa, a esposa e a filha Clara. Esta última, quando apanhava a Matilde, agarrava-a e puxava o seu pêlo com tanta força, talvez por ser demasiado pequenina e não ter a noção do que fazia. Eram essas as únicas alturas em que Matilde se enervava e tinha de fugir. Matilde já a tentava evitar a todo o custo, mas viviam na mesma casa, e ela era sua dona, era inevitável encontrarem-se muitas vezes por dia.
De resto, Matilde dava-se bem com toda a gente. Na rua, tinha muitos amigos. Quem é que não podia ser amigo de um anjo daqueles?! Matilde era uma jovem gata toda branquinha, peluda e muito fofinha, querida, responsável, simpática e boa amiga. Mas sobre ela existia um grande mistério, pois para além de ocupar as suas tardes com as suas amigas gatas, frente à pastelaria que havia na sua rua, a conversar, ou simplesmente em casa a dormitar, todos os dias, duas horas antes de anoitecer, ia ao jardim da cidade e por lá passeava sozinha sem nunca falar com ninguém. Olhava para o belo das flores, para o deslumbrante das árvores.
Excerto do conto de Denise Grelha.


O 1º prémio, na categoria de Ilustração, foi atribuído ao aluno Pedro Vale.

domingo, 26 de abril de 2009

Dia da Mulher


A Mulher e a literatura

Como em muitas outras manifestações artísticas, a mulher teve sempre um papel importante na literatura, enquanto personagem mas também como autora.

Atentemos nesta minha última assumpção: ao longo dos séculos, autoras femininas houve que se destacaram sobremaneira, na prosa e na poesia, no ensaio, no teatro, etc., tanto em Portugal como no resto do mundo.

Porém, nem sempre foi fácil para a mulher aceder a um mister considerado impróprio para o seu sexo. Houve casos, até, em que as mulheres tiveram de adoptar um nome masculino a fim de verem as suas obras publicadas, como aconteceu no século XIX com George Sand (1804-1876), de seu verdadeiro nome Aurore Lucie Dupin, e cuja relação amorosa com Chopin chocou uma sociedade puritana daquela época. Por cá, também a poetisa Florbela Espanca, (1894-1930) escandalizava os portugueses com a sua poesia de uma sensibilidade pagã, exaltação do amor e do sentimento, mas igualmente de uma lucidez de finitude do mesmo amor e sentimento “E desse que era meu já me não lembro…”. Florbela Espanca foi cursar direito em Lisboa em 1917, mas, a exemplo de outros países ditos democráticos, não lhe era reconhecido o direito a votar.

Esta luta pelo direito das mulheres ao voto reflecte-se na obra da escritora Maria Lamas, que viveu sob o regime de Salazar, apesar de este direito já haver sido conquistado no resto da Europa nas décadas vinte e trinta do século XX. Pese embora à custa de muito “sangue, suor e lágrimas” por parte de muitas mulheres.

Mais recentemente a mulher, livre de anteriores tabus e limitações resultantes da condição feminina, tem-se destacado na literatura e muitas são as autoras portuguesas cujo nome valeria a pena referir. Por via de falta de espaço, uma vez que a lista seria longa, e por ter frequentado este estabelecimento de ensino há não muito tempo, referirei apenas o nome de uma grande escritora: Lídia Jorge. Se me é permitido sugerir o nome dum livro de sua autoria, e não de muitos mais, igualmente por falta de espaço, sugiro “Combateremos a Sombra”.

Este livro versa um tema muito actual.

Qual? Descobri-lo-ão quando, e se, o lerem.

Gabriela Correia

Faro, 08 de Março de 2009


domingo, 29 de março de 2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

PAI...


RETORNO

Nous reviendrons dans nos enfants.

Subo um passeio branco alastrado de sombra,

luz e folhas caídas.
Pela mão vai minha filha,
juntos subimos rente ao fim
da tarde.
Apertando-me os dedos, olhos nos olhos,
minha filha faz-me as perguntas de todas
as crianças.
Seus olhos espelham os meus
e na boquita fresca vagueia o sorriso

que outrora perdi.
Absorto, caminho rumo ao fim do tempo,
ela, rumo ao princípio.
O meu poente roxo é a sua alvorada
estridente.
Termino um pouco onde ela começa,
mas minhas mãos continuam nas suas.
Penso agora na morte sem angústia
e na vida com outro empenho.
Minha filha vai comigo, seus olhos,
Seus gestos, seu sorriso,
Lembrança de mim.
Vou partindo. Ela apenas chega.
A tarde cai e não é triste morrendo.

Rui Knopfli (in Biblioteca de autores Portugueses, pag 45)

Rui Manuel Correia Knopfli nasceu em Inhambane, Moçambique, a 10 de Agosto de 1932 e fez os seus estudos na África do Sul. Poeta, jornalista, critico literário e de cinema, iniciou uma muito activa carreira na então cidade de Lourenço Marques, actual Maputo. Deixou Moçambique em 1975. É de nacionalidade portuguesa com alma assumidamente africana, terra que amou e trouxe no coração até ao último dos seus dias. Colaborou em vários jornais e revistas e publicou alguns livros. Desempenhou funções de adido cultural na Embaixada Portuguesa, em Londres. Faleceu em Lisboa em 1997.

terça-feira, 10 de março de 2009

Concurso de Prosa e Poesia - Resultados



Com atraso, justificado por alguma demora na entrega dos trabalhos premiados, damos a conhecer os nomes dos vencedores do Concurso de Prosa e Poesia realizado na nossa Escola:

Assim:

ESCALÃO A (Alunos)

Prosa - Xavier Inácio Patrício Rosado, nº 28 - 12º C

Poesia - Ivanna Zinchuk, nº 15 - 11º F


ESCALÃO B (Professores/Funcionários)

Prosa - Mª Gabriela Rodrigues Correia, professora

Poesia - Mª Gabriela Rodrigues Correia, professora

Para além dos parabéns aos vencedores é justo realçar a qualidade dos trabalhos apresentados, os quais mereceram os elogios do júri (constituido por ex-professores da nossa Escola). Na cerimónia de entrega dos prémios ficou a promessa de editar, em livro, os trabalhos que concorreram.

Para começar damos a conhecer os trabalhos vencedores na categoria de poesia:
Escalão A

"Amor iludido”

Sei que és um sonho,
Mas meus olhos estão-te a esperar
Sei que és um forte desejo,
Mas não paro de pensar.
Imagino os teus olhos,
O teu rosto junto ao meu.
Eu faria tudo
Só para ter um beijo teu.
Tento esquecer aquela loucura,
Tento fugir daquela doce ilusão,
Mas a minha alma está presa
Naquela forte imaginação.
Fico perdida nos pensamentos
E não consigo mais suportar.
Peço a Deus com forte desejo,
Para um dia te abraçar.
Passa um dia e mais uma noite,
Passou um ano e já fiz os dezoito.
De tudo aquilo que eu tanto esperava,
De amor e carinho, que necessitava,
Eu percebia com toda clareza,
Que me tornei uma dramática princesa.
Enfim, apaguei-te da minha memória,
Fechei as portas da iludida vitória.


Escalão B

"Paisagem Com Corpo Ao Fundo"

Trazias as manhãs nos teus cabelos,
O riso nos teus olhos,
Em novelo,
A meiguice dos teus dedos
Sabia a sol de tarde
No inverno.
As palavras suspensas dos teus lábios
Eram brincos rubros de cereja
Com que nos enfeitávamos,
Na infância.

Trazias no teu corpo labaredas,
Propostas de outros mundos,
Não sonhados:

E era a alegria,
A comunhão,
O caminho à nossa frente,
Resplendente,
Da vitória!

Sírius subia no horizonte, luminosa.
A Aurora chegava, caprichosa.

E saíamos, contrafeitos, para a rua,
Em busca de alimento para o corpo,
Recebendo, agradecidos,
A luz quente do Mundo
Em nosso rosto.

quarta-feira, 4 de março de 2009

SUGESTÃO DE LEITURA


Começamos com uma escritora algarvia e que frequentou a nossa escola. Falamos de Lídia Jorge.

O título sugerido é a última obra da autora, chama-se Praça de Londres e é uma colectânea de 5 contos.
"Se tivesse de caracterizar os contos que Lídia Jorge (n. 1946) reuniu em Praça de Londres, diria que são contos de atmosfera, não isentos de efeito emocional correlativo. Isso é sobretudo nítido em Branca de Neve e Viagem para Dois, sendo que neste último a tentação do thriller empresta ao discurso maior dinâmica. Nesse conto, o penúltimo da colecção, um homem e uma mulher descobrem (a bordo de um comboio, algures entre a Lombardia e o Veneto) ser ambos falantes de português. A descoberta fê-los rir, .....
O mesmo se diga de Perfume, dedicado à memória do actor e cineasta curdo Yilmaz Güney, que bem podia ser o embrião de um romance.

... o segundo, Rue du Rhône, sobre os equívocos gerados pela aquisição, numa loja elegante de Genebra, de uma carteira de pele gravada.

Em contrapartida, o que dá título à colectânea abre-se a todas as conjecturas. O que viu aquela mulher enquanto caminhava na Praça de Londres? Quem era o homem que beijava sôfregamente uma criança de tenra idade? O que é que a levou a desconfiar? E a desconfiar exactamente de quê? Estaremos nós — e entre todos a protagonista da história — condicionados pelos fantasmas do abuso de menores?O mesmo tipo de enigma dá corpo a Branca de Neve.

Como verificado, à medida que os contos se sucedem, vai diluindo o estranhamento. ... é no romance que Lídia Jorge atinge pleno conseguimento —, estes cinco contos lêem-se de um fôlego" (in Público, 20-6-2008).

Pode encontrá-lo na nossa biblioteca (ref. 28607).

Boas leituras.

terça-feira, 3 de março de 2009

CÁ ESTAMOS!

Após um período experimental, com a criação do blogue (http://becrejoaodedeus.blogspot.com), pretende agora a equipa do Centro de Recursos da ESJD criar um maior dinamismo e interacção não apenas com a comunidade escolar mas, também, com todos os que acedem e fazem parte da blogosfera.

Tentaremos abordar as mais variadas áreas do conhecimento e nesse sentido daremos conta de sugestões, curiosidades e apontamentos que se relacionem e se dirijam sobretudo para os nossos alunos mas que podem, também, ser interessantes para outros públicos, nomeadamente pais/EE, professores, funcionários, etc.

Gostaríamos que comentassem, sugerissem e sobretudo contribuíssem para o enriquecimento deste espaço que a partir de hoje se abre a todos nós.